"Oh! Mas o que é o homem, sempre a lamentar-se de si mesmo? Quero corrigir-me, caro amigo, e prometo que o farei; não quero mais, como tenho feito até agora, remoer os males que o destino nos reserva; quero gozar o presente e considerar o passado apenas passado. Sem dúvida, você tem razão, meu bom amigo: neste mundo haveria menos sofrimento se os homens (só Deus sabe por que eles são assim!) não se ocupassem, com tanta imaginação, em fazer voltar a lembrança das dores passadas, em vez de suportar um presente tolerável."
"Pude verificar uma vez mais, meu caro amigo, neta questão sem importância, que os mal-entendidos e a negligência causam no mundo muito mais equívocos do que a astúcia e a crueldade. Estas duas, pelo menos, são bem raras."
"A solidão é para a minha alma um bálsamo precioso neste paraíso terrestre, e esta primavera me aquece o coração em todo o seu ardor, esse meu coração que frequentemente estremece de frio. Cada árvore, cada arbusto é um ramalhete de flores, e eu gostaria de me transformar em uma abelha para esvoaçar nesta atmosfera perfumada e dela tirar todo alimento."
"Não sei se espíritos enganadores pairam sobre este lugar, ou se é no meu coração que está a ardente e celeste fantasia que fornece uma atmosfera de paraíso a tudo que me rodeia."
"Também, trato meu pobre coração como se fosse uma criança doente: dou-lhe tudo que pede. Mas não diga a ninguém: há pessoas que não me compreenderiam."
Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe
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